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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A MORAL MAÇÔNICA E OUTRAS REFLEXÕES SOBRE A 4ª INSTRUÇÃO DE A.∙. M.∙.

PEÇA DE ARQUITETURA


Por Irm:. Luis Genaro Ladereche Figoli*

A 4ª Instrução de A.∙. M.∙. se desenvolve a partir de três temas centrais, que aparentemente desconexos numa leitura superficial, apresentam-se suficientemente complementares após uma análise mais aprofundada e interpretativa de seus significados, sendo o fio condutor, a moral Maçônica:

1. Da Forma e Dimensões do Templo (no ritual Loja);
2. Da Base de Sustentação do Templo (no ritual Loja);
3. Da Moral Maçônica e suas aplicações

O TEMPLO

O Templo é o lugar onde se desenvolvem os trabalhos maçônicos e é reunida a Loja, manifestação do Logos ou Palavra que vive em cada um de seus membros e encontra em seu conjunto uma expressão harmônica e completa.

É, ao mesmo tempo, um lugar de trabalho e de adoração, uma vez que nunca cessa de construir-se enquanto for de real proveito a todos; e como esta construção simbólica necessita ser a expressão do Plano do Grande Arquiteto, no qual a atividade construtiva busca sua inspiração, este esforço constante em direção à Verdade e à Virtude é a mais efetiva e verdadeira adoração.
Etimologicamente, a palavra templo relaciona-se com o sânscrito tamas, "escuridão", de onde vem também o latim tenebrae (por temebrae), "Trevas". Significa, portanto, lugar escuro, e por conseguinte "oculto", aludindo ao antigo costume de construir os templos em grutas ou criptas subterrâneas, fora da luz exterior e ao amparo da indiscrição profana.

Isto informa-nos que todos os templos no princípio, foram antes de tudo, lugares de recolhimento e silêncio; e da mesma forma também o são os templos sucessivamente erigidos sob uma forma arquitetônica específica mas sempre caracterizados interiormente por essa penumbra mais ou menos completa que favorece à concentração do pensamento e à sua elevação para o transcendente, em direção ao que há de menos conhecido e misterioso. Também este isolamento do mundo exterior é favorecido por uma atenção mais profunda sobre os ritos e cerimônias que nesses templos - sejam religiosos ou iniciáticos - tem se sempre desenvolvido.

O Templo maçônico é um quadrilongo estendido do Oriente ao Ocidente, isto é, "em direção à Luz". Sua largura é do Norte ao Sul (desde a potencialidade latente à plenitude do manifestado), e sua altura do Zênite ao Nadir. Isto quer dizer que praticamente não tem limites e compreende todo o Universo, no qual se esparge a atividade do Princípio Construtivo, que sempre atua na direção da Luz, como pode ser observado em toda a natureza.

Quanto às três dimensões do Templo, podemos considerá-las até certo ponto equivalentes; tanto o Sul e o Zênite, como o Oriente, indicam o Mundo Divino dos Princípios ou domínio do Transcendente; enquanto o Norte, o Nadir e o Ocidente representam, de diferentes modos, o mundo manifestado ou fenomênico.

A diferença baseia-se principalmente em que a direção do Oriente ao Ocidente refere-se à Senda da vida ou Caminho do Progresso; a do Norte ao Sul, à Lei dos ciclos, que nos aproxima alternativamente do domínio das Causas e dos Efeitos; e a vertical, ao Pai e a Mãe, de quem somos igualmente filhos, ou seja, às duas gravitações, celestial e terrena, que respectivamente atraem nossa natureza espiritual e material.



DA BASE DE SUSTENTAÇÃO DE UM TEMPLO

Três grandes colunas sustentam o Templo Maçônico (distintas das duas que se encontram no Ocidente): a Sabedoria, a Força e a Beleza, ou seja, a Onisciência, a Onipotência e a Onipresença do G.∙.A.∙.D.∙.U.∙., reafirmadas como Princípios de Verdade, de Atividade e de Amor ou Harmonia. Estas três colunas representam ao Ven.∙. Mestre e ao 1º e 2º Vig. que tem assento respectivamente no Oriente, no Ocidente, e no Meio dia, onde são manifestados respectivamente aquelas três qualidades.

O Delta luminoso, com o Olho Divino no centro, brilha no Oriente por cima do assento do Ven. Mestre, símbolo do Primeiro Princípio, que é a Suprema Realidade, em seus dois lados, ou qualidades primordiais que a definem, expressas em síntese inimitável a no trinômio vedântico Sat-Chit-Ananda (Ser, Consciência e Bem-Aventurança).

Nos dois lados do Delta, que representa a verdadeira luz (a luz da Realidade transcendente), aparecem o sol e a lua, os dois luminares visíveis, manifestação direta e refletida dessa luz invisível, que ilumina nossa terra e que simbolicamente representam a Luz Intelectual e a Material.

Em resumo, a primeira, Sabedoria, corresponde ao Venerável Mestre, ou seja, a inteligência criadora que concebe e manifesta interiormente o plano do G.: A.: D.: U.:, representada pela Deusa Minerva; a Força, que corresponde ao Primeiro Vigilante, é a força volitiva que trata de realizar o que a primeira concebe, representada por Hércules e a Beleza, consignada ao Segundo Vigilante e representada por Vênus. Estas três faculdades também as encontramos dentro do mesmo homem, segundo nos diz Jorge Adoum. Recebem, também, o nome de Colunas Morais. A Sabedoria, ou pensamento que a dirige; a Força, ou Energia Moral que a executa e a Beleza, ou Harmonia das forças mentais. 



DA MORAL MAÇÔNICA E SUAS APLICAÇÕES

Em Loja e fora dela falamos constantemente sobre moral, ética, dever, virtude, vício, sobre o bem e o mal e conceitos afins, pressupondo que todos tenham a mesma compreensão dessas idéias. Raramente paramos para refletir, de maneira crítica, sobre tais valores, a fim de estabelecer um conhecimento mais preciso e claro sobre eles, de forma a ter validade e entendimento gerais, entre todos nós.

A primeira Constituição Maçônica, aquela de 1721, publica em Londres em 1723, no seu primeiro artigo, já estabelecia que "Um Maçom é obrigado, por sua Condição, a obedecer à Lei moral;" Portanto, esse é o primeiro dever do Maçom, dever esse que precede a todos os outros e decorre, logicamente, do pressuposto de uma Ordem Superior e Inteligente, da qual temos consciência e atribuímos à sabedoria do G.'. A.'. D.'. U.'..

Moral é algo que diz respeito exclusivamente ao homem, enquanto ser livre e inteligente e, portanto, com capacidade para escolher entre esta ou aquela conduta, e agir conforme sua vontade. Não há moral entre os seres inferiores, pois estes, quando agem, o fazem em razão de sua natureza, sem interferência de juízo de valor. O leão que abate sua presa não age moral ou imoralmente, simplesmente segue sua natureza felina, para atender a uma necessidade vital.

A idéia de Moral implica, portanto, em noções de bem e de mal, de dever, de obrigação, de responsabilidade, enfim, de valores humanos que são necessários à vida em grupo. Para alcançar a perfeição de nossa natureza, quer física, quer espiritual, será necessário desenvolver nossas virtudes físicas e espirituais, procurando afastar de nós o seu contrário, a que damos o nome de vício.

Segundo Aristóteles, há duas espécies de virtude: uma intelectual e outra moral. A primeira, via de regra, adquire-se e cresce em nós graças ao ensino. Por isso requer experiência e tempo dedicado à instrução. A virtude moral, por outro lado, é adquirida como resultado de uma prática constante, ou seja, do hábito. É interessante notar que a palavra grega "éthos", que significa "hábito", deu origem também à palavra ética, que significa moral.

E aqui nós chegamos a um ponto fundamental para compreender o valor da Maçonaria, de seus métodos de ensino e de sua Moral. Se a virtude moral não se adquire pela instrução, pelo aprendizado teórico, mas sim pela prática de atos virtuosos, todo o esforço da Ordem deve estar direcionado para criar, desenvolver, conservar e aprimorar os hábitos que conduzam a essa virtude moral.

Todos nós nascemos com aptidão para desenvolver hábitos, bons ou maus. A Maçonaria oferece ao iniciado um método apropriado para desenvolver sua auto-disciplina, a partir da reiteração ritualística constante, exaltando os valores superiores que devem guiar o homem em suas relações consigo mesmo e com os seus semelhantes.

A própria dinâmica de uma sessão maçônica acaba por desenvolver a tolerância de seus participantes, fazendo com que aprendam a ouvir e somente falar nos momentos oportunos. A prática de ações e gestos ritualísticos são exercícios simbólicos que trazem para a consciência a natureza de hábitos que, muitas vezes, não foram devidamente considerados por nós.

Para entendermos Moral Maçônica e implicações, precisamos definir claramente qual a missão do A.∙. M.∙. sendo estes conceitos aplicáveis não apenas a este grau mais a todos os maçons de todos os graus.

Para a Maçonaria, o Gr.∙. de A.∙. M.∙. é considerado como sendo o alicerce de sua Filosofia Simbólica.

A principal missão de um A.∙. M.∙. é o desbastar da pedra bruta, isto é:

• Vencer as suas paixões;
• Desvencilhar-se de seus defeitos;
• Criar sólida fundamentação para sua própria Elevação;
• Contribuir para a reestruturação moral da humanidade;

Esta missão dar-se-á inicialmente através da inteligência que é o sentimento não adulterado do homem ainda no seu estado primitivo, áspero e despolido, conservando-se neste estado ate que pelo cuidado de seus Mestres e pelo próprio esforço e perseverança adquire a educação liberal, virtuosa e indispensável para que se transforme em um homem culto e valioso, plenamente capaz de fazer parte da sociedade civilizada.

O A.∙. M.∙. deve abrir seu coração para:

• Praticar o Bem;
• Exercer a Fraternidade;
• Exercer a Caridade;
• Ser exemplo no âmbito familiar, no trabalho e no ambiente social;

Assim procedendo tornar-se-á útil para a construção do Verdadeiro Templo à Virtude.

A Maçonaria (e nós Maçons) tem como obrigação, defender:

• A liberdade dos homens e dos bons costumes;
• O reconhecimento da igualdade de todos perante a Lei Natural e perante o G:.A:.D:.U:.;
• A prática permanente da Fraternidade;
• A prática permanente da Solidariedade;
• O reconhecimento de todos como verdadeiros IIrms.∙.
E lutar contra;
• Os Vícios;
• A Ignorância;
• Os erros;
• A Intolerância;
• O Fanatismo.


Membro da Loj:. Simb:. Palmares do Sul nro 213
G:.L:.R:.G:.S:.
M:.M:.

Fontes Consultadas:
 Ritual do Aprendiz Maçom (REAA) GLRGS
 D´elia Junior, Raymundo – Maçonaria 100 Instruções de Aprendiz;
 Autor Desconhecido – Manual do Aprendiz Maçom;
 Da Camino, Rizzardo – Maçonaria Mística;
 Da Camino, Rizzardo – O Maçom e a Intuição;
 Adum, Jorge – Grau do Aprendiz Maçom e seus Mistérios;
 Dyer, Colin – O Simbolismo na Maçonaria;
 Bloes, Antonio Carlos – Peça de Arquitetura “O Dever Fundamental”

3 comentários:

vilnei disse...

Irm. apresentei um trabalho sobre a terçeira instrução a dias e achei que tinha feito bobagem, mas de pois de ler seu trabalho,acredito que não acertei, mas estao no caminho certo.

Sessim.

Luis Genaro disse...

O trabalho na Maçonaria é de auto-didata. Nunca farás bobagem se for realizado com consciência e com pensamento livre. Os vários degraus de consciência irão se abrindo paulatinamente, na medida que avançares na senda do conhecimento, que é a essência da Maçonaria. Trabalha com a razão e com o coração, busca inspiração no GADU e nunca sairás da Escada de Jacó. TFA.

Célia disse...

Entendo que cada amanhecer de um a..m..É um desafio próprio.O bom é que ninguém se sente sozinho neste percurso.Ao menos não penso que posso dominar todos os assuntos.Isso sim, séria a minha maior ignorância.Obrigada por todas as instruções.Espero lutar com sabedoria, para que EU mesma não possa me ferir.