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domingo, 10 de abril de 2016

A Justiça, a Tolerância e o Perdão na Maçonaria, a partir dos ensinamentos do Grau 9° do R.´.E.´.E.´.A.´.



O Cav.´. Eleito dos IX

Por Irm.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli (Moshe)*

Influências do Grau

Um dos mais importantes graus das Lojas de Perfeição, do ponto de vista iniciático, é o chamado Mestre (ou Cavalheiro) Eleito dos Nove, correspondente ao Grau 9° na Escada de Jacó.[1] Nos chamados Mistérios Antigos esse grau correspondia a iniciações nos chamados Mistérios Menores.[2]

Segundo Jorge Adum[3]as finalidades dos MISTÉRIOS MENORES eram demasiadamente elevadas e por isso foi preciso dividir sua escala em várias partes ou graus, para que assim pudesse a mente humana ascender paulatinamente, sem sofrer as dores do auto sacrifício de suas paixões e de seus arraigados desejos desenfreados. Estas elevadas finalidades são: a unidade de Deus; a imortalidade da alma; um culto voluntário, sem fanatismo nem superstição; uma moral pura que conduza o homem no caminho da verdade, da justiça e do bem-estar. Seu primeiro objetivo é propagar as luzes que podem esclarecer a razão do homem para apreciar sua dignidade, que faz dele o REI DA CRIAÇÃO e para que, por meio de sua inteligência, encontre sua relação direta com o DEUS ÍNTIMO. Portanto, a Grande Iniciação tem por finalidade propagar a liberdade dos homens com o dever de não atacar uns aos outros, em virtude desta mesma liberdade. Depois estabelece uma verdadeira caridade universal que irmana todos os povos entre si para que formem uma só família, e, finalmente, eleger um governador sábio, desinteressado, estabelecido sobre leis comuns, apropriadas às necessidades de cada povo, a fim de que estas leis sejam o apoio do débil e do forte e, ao mesmo tempo, a corretora dos perversos. ”

O Grau 9° é um dos mais complexos Graus, porque envolve além do aspecto místico israelítico-salomónico-hiramítico, a própria mitologia, com a análoga lenda de Osíris, aspectos astrológicos, cabalísticos (numerologia), sociais, morais, religiosos e humanos, enfim uma gama quase infinita de interesses intelectuais, que só podem interessar a um Maçom estudioso, àquele inclinado a ascender a verdadeira Escada de Jacó.[4]

A lenda do Grau de Eleito dos Nove desenvolve a explicação do Mito Solar. A própria Lenda de Hiram e perseguição aos assassinos é uma espécie de disfarce de mitos e mistérios simbólicos mais antigos, que nos mostram a luta constante entre a Luz e as trevas, o bem e o mal, a verdade e o erro, os ideais e as paixões do homem.

No Mito Solar, donde foram tomadas todas as lendas das religiões, os Nove Mestres são os nove signos zodiacais ou nove meses de luz que estão contra os três meses mais escuros, terrenos e animais, Escorpião, Sagitário e Capricórnio. É ainda a luta entre a Luz e as trevas, o nascimento e a morte, a parte ativa e positiva, e a parte escura e negativa; é a luta dos deuses olímpicos contra os titãs e dos gigantes que querem dominar na ordem celestial pelas paixões brutais. É a luta dos Devas[5] contra os Asuras[6]. Agni[7] e Mitra contra Varuna[8], que como Lúcifer é precipitado ao INFERIOR (Inferno), cessando de ser o deus da noite estrelada. É a luta de Osíris, reencarnado em Hórus, e de Isis, contra Tífon, de Hércules, protótipo do herói consciente de sua própria origem divina contra os monstros ou paixões animais, que se encontra em seu ciclo zodiacal de progresso, como resíduo de seu próprio passado com o qual deve enfrentar-se para superá-lo. É a luta de MITRA (Sol) a divindade da Luz da última época da região irânica (do Irã) contra o Touro emblemático da natureza animal, a quem mata e transmuta, para absorver suas qualidades positivas. É a luta na natureza como na vida; a Luz, o Supremo Poder, afugenta toda treva e obscuridade. Ante sua claridade, foge o mistério da noite, levando consigo os temores e o cansaço que se apoderam de nosso organismo em todo o anoitecer. E, conforme se faça a luz em nossa mente, esclarecem-se nossas preocupações e nossos problemas, para que nossa vida seja um crescimento NA LUZ.[9]

Os egípcios acreditavam que, após a separação das estruturas cósmicas, o Universo material para onde os homens foram desterrados tornara-se um oceano de desordem, injustiça e desarmonia. Para manter uma ligação com o “mar de harmonia e bem-aventurança”, que era o céu, os homens deveriam viver de acordo com o princípio de Maat[10] e honrar devidamente os deuses. Isso significava que não bastava apenas viver uma vida honrada, justa e piedosa, mas também cumprir as obrigações e responsabilidades com as coisas divinas. Assim a prática das virtudes profanas não era suficiente para se alcançar a união com o Supremo, mas também era necessário irradiar Maat, ou seja, divinizar-se pela Iluminação.

Da mesma forma (e talvez na mesma influência) a iniciação nos Mistérios de Elêusis[11] era incentivada entre os gregos ilustres como disciplina de aprimoramento do espírito.  Afirmam alguns importantes autores, que Heródoto, Platão e Pitágoras (entre outros filósofos gregos), eram iniciados nos Mistérios Egípcios, bem como em seu correspondente Elêusis. Se o foram, jamais seus escritos os revelaram, tendo em vista que o silêncio era uma exigência que se fazia aos iniciados, de guardar o mais estrito segredo sobre o assunto[12].  Tanto nos Mistérios Egípcios quanto nos Mistérios de Elêusis, a iniciação é uma repetição simbólica do drama da regeneração do defunto Osíris. Por meio destas cerimônias reconstruía-se “o psiquismo dilacerado” do homem profano, para fazer dele um homem novo, possuidor da verdade que liberta. Tanto no aspecto religioso quanto no aspecto filosófico, os Mistérios tinham objetivos semelhantes. No primeiro, procurava-se realizar a salvação da alma pela progressiva espiritualização, e do segundo, visava proporcionar ao indivíduo, enquanto criatura, uma vida moral que não prejudicasse sua existência em “outra esfera”.

Na Maçonaria do Rito Escocês, além da influência Egípcia e Grega, como podemos ver, o rito foi enxertado também com elementos da tradição hebraica, que nele está presente por meio de vários símbolos e alegorias emprestadas à Cabala.

É possível perceber também, conforme diz João Anatalino[13], várias evocações à tradição hermética, o que certamente revela a contribuição dos “maçons aceitos”, cultores da Gnose e da Alquimia.

Podemos também associar, à construção da Lenda desse Grau, elementos das chamadas tradições Cainitas[14] que tinham em Caim o iniciador das ciências e do conhecimento. Essas tradições sustentam que foi por meio de seus trinetos. Jubal, Jabel (ou Jabal) e Tubalcaim[15] que os homens aprenderam as diversas artes e técnicas de produção. Jubal e Jabel teriam inspirado à tradição dos Jubelos (Jubelas, Jubelos e Jubelum), que na Lenda Maçônica são os Companheiros invejosos que querem obter de Hiram-Abbi[16] a palavra sagrada, com a qual eles seriam reconhecidos como Mestres.  Nesse simbolismo está interpolada a ideia de que esses Companheiros são, na verdade, usurpadores do conhecimento e destruidores da ordem e da harmonia, utilizando-se da violência e do crime para a aquisição de um direito que só pode ser conferido àqueles que cumprem um devido processo iniciático.

Ainda segundo esta tradição cainita, e lembrando que na Bíblia o nome Tubalcaim[17] aparece como o homem que ensinou a humanidade a arte de curtir peles, tecer lãs e fundir metais, então estará fechado o círculo esotérico que envolve o nome dos Jubelos. Os três de acordo com esta tradição são iniciados na Arte Real e queriam ser ombreados aos Deuses. Possuindo conhecimento técnico, esses descendentes de Caim julgavam-se merecedores de compartilhar com os Mestres Arcanos [18]o Supremo Conhecimento.

Não sendo admitidos na confraria celeste, apelaram para a violência e promoveram a “rebelião” que separou o profano do sagrado e deu início à eterna peregrinação dos homens sobre a Terra, em sua insana luta para recuperar o estado de beatitude de que antes gozara.[19]

Esse simbolismo não significa, de por si só, que a posse de conhecimento científico levará ao profano a ser possuidor de Iluminação (como acreditavam, por exemplo, os Iluministas[20]). Por isso Caim e sua família, embora tivessem esse Conhecimento, que lhes fora concedido pelos próprios deuses, não obstante, foram expulsos do paraíso[21], pois sua arrogância os perdeu. O assassinato do Mestre Hiram, por esse prisma, simboliza a arrogância desse pretenso “sábio” que quer, a todo custo, possuir a verdadeira sabedoria sem passar pela devida iniciação.[22] O Grau é transmitido por comunicação.

A Lenda do Grau

O mestre Rizardo Da Camino, em sua obra “OS GRAUS INEFÁVEIS” nos faz um resumo da Lenda do Grau:

“Na Lenda, Salomão estava presidindo, junto com Hiram, rei de Tiro, a assembleia dos Mestres, quando o rei de Tiro com veemência exigia providências no sentido de ser apurada a morte do Artífice. O rei de Tiro exigia a localização e prisão dos assassinos para que fossem submetidos a julgamento. Na expectativa da discussão, eis que penetra, inopinada e indevidamente, no recinto, um desconhecido que, misteriosamente, revela conhecer o local onde os assassinos estavam homiziados. O desconhecido é preso, algemado, porém Salomão resolve ouvi-lo. A Assembleia seleciona nove Mestres (dentre quinze Mestres mais velhos)[23] para que encontrem os assassinos, sendo nomeado chefe Stolkin; Johaben e Zerbal também fazem parte da comitiva. Na manha seguinte, ao nascer do sol, o Grupo põe-se a caminho e perto da cidade de Jopa, encontram a caverna. Na entrada da caverna veem um homem adormecido tendo a seus pés um punhal; Johaben, emocionado, toma o punhal e o crava no peito do desconhecido, matando-o; após, lhe corta a cabeça e conduz essa à presença de Salomão.
Apesar de reconhecida a cabeça como pertencente a um dos Companheiros assassinos Salomão é tomado de indignação e censura Johaben, determinando fosse o mesmo submetido a julgamento porque só a ele pertencia o direito de julgar e justiçar os assassinos; Salomão reprova o sentimento de vingança que em nenhuma circunstância seria admitida.
Os companheiros do Grupo intercedem a favor de Johaben, a quem apresentam como impulsivo e cioso de seus deveres, e Salomão acaba por perdoá-lo, premiando a todos e nomeando-os com o título e honrarias de Mestres Eleitos dos Nove.
O assassino justiçado por Johaben é denominado no Ritual com o nome de Abiram, título que significa: "assassino por excelência", mas é sempre, o mesmo dos Jubelos do Grau Três. Abiram representa a ignorância, a Liberdade oprimida, a corrupção e o crime. Quando os Mestres Eleitos atingirem a caverna, o Sol estava no ocaso; no firmemente, apenas, uma estrela iluminava o local, palidamente.
A dificuldade de penetrar no caverna, seja pela escuridão, seja porque coberta de espinhos, representa os riscos e o trabalho que temos todos nós de penetrar em nós mesmos, para descobrir os sentimentos negativos que devem ser extirpados, retirados do local, submetendo-os ao "julgamento", ou seja, esclarecer como devem desaparecer para que nos sintamos livres e purificados.
As terras más onde, lançadas, as sementes não podem vicejar, ficando sufocadas e perecendo, como muito bem explanou Jesus na parábola do Semeador.
Hiram representa a inteligência que percebe a Verdade; a Liberdade sem a qual a inteligência é impotente, ou seja, a compreensão de Verdade através da Razão”.

Interessante é que o Jorge Adum, em sua obra “DO MESTRE ELEITO DOS NOVE” conta um pouco diferente a Lenda do Grau. Quando “Johaben, afastado dos demais[24], esperando o êxito de sua busca, notou que o cão do pastor seguia a pista de alguém que entrara na gruta; Johaben, descendo os nove degraus talhados na rocha, descobre no fundo o mais culpado, isto é, aquele que havia dado o golpe mortal e que naquela hora se dispunha a descansar. O assassino, vendo-se descoberto pelo Mestre – não pôde resistir seu olhar – tomou o punhal com o qual pensava defender-se e o cravou no próprio peito, traspassando o coração, antes que Johaben pudesse impedi-lo”. Ou seja, o assassino teria cometido suicídio e não teria sido morto por Johaben.  Segundo João Anatalino, este simbolismo foi desenvolvido, como informa o próprio Adum, para fins de expurgar do ritual a ideia de que esse era “um grau de vingança” o que não coaduna com o ensinamento maçônico. “O Julgamento de Johaben, diz Anatalino, passou a significar que a vingança é um sentimento que não deve ser cultivado pela Maçonaria. A vingança pertence a Deus. O maçom deve praticar a Justiça e não a Vingança.”[25]

Também há uma mais uma contradição entre os autores Jorge Adum e João Anatalino, em relação a nosso Ritual e o próprio Da Camino, onde afirmam que os dois assassinos perseguidos pelos oito Mestres “apesar dos obstáculos do terreno e de estarem cansados da viagem, ganharam vantagens sobre os perseguidos, até que, finalmente, os assassinos, vendo-se perdidos, sem salvação, por se acharem diante de um abismo, sem outro caminho aberto, preferiram lançar-se no espaço a ser presos. Desta maneira seus perseguidores apenas conseguiram encontrar seus cadáveres.”[26] Nosso Ritual é omisso em relação ao destino dos outros dois assassinos, pelo menos até aqui.

 Simbolismo da Lenda do Grau

Como conhecimento iniciático, o Grau nos ensina que o homem jamais chegará a iluminação pelas próprias forças. Ele precisa de um Mestre que o salve, conduza-o (um Messias) ou então que utilize um processo de purificação da luz que habita dentro dele, para que ela, livre de todo elemento material, possa ascender ao reino do Divino. E é somente como pura luz que isso é possível.

A lenda foi desenvolvida com a finalidade de adaptar tais conhecimentos iniciático aos propósitos morais da Maçonaria. Ninguém ingressa na Ordem sem ser eleito. Depois de iniciado, o que se requer é que “submeta suas paixões e erga templos à virtude, cavando masmorras aos vícios”, ou seja, que ele deva “matar em si mesmo” todos àqueles “assassinos” que o impedem de ser um ser virtuoso, de luz. Que possa vingar (ou fazer justiça), com essa morte, o assassino do homem justo, que cometido por aqueles homens maus (ou aqueles anjos maus, na tradição gnóstica e cabalística) que o desviaram da virtude (e o tiraram do paraíso). Os “homens maus” são a ambição desmedida e sem moral, a avareza, a inveja, o ódio, a indiferença pela sorte dos seus irmãos, a ignorância, a preguiça, a prepotência, e todos os “vícios que aviltam o homem” e o fazem se comportar como um “filho das trevas”.

Sempre, devemos somar as nossas possibilidades com mais "um" que é a presença obrigatória, que é o "desconhecido", que é a Razão, o nosso "Eu", enfim, o Grande Arquiteto do Universo, Deus.

Com a alegórica representação da Lenda, a Maçonaria dá uma lição aos Neófitos de como pode um verdadeiro Maçom, colher a oportunidade que lhe é apresentada de possuir a coragem de "matar" um assassino, mas não como ser humano, como semelhante; será um assassino encontrado na "Caverna" de nossa própria consciência; a supressão do defeito, do erro e da ignorância.

Diz Da Camino:

“Os Cavaleiros Eleitos dos Nove têm missões a cumprir; não são tarefas comuns, materiais; não são trabalhos manuais, operativos, enfim, são os Maçons preparados para se oporem aos programas sociais imbuídos de filosofias materialistas. Encontrar a Verdade será uma das principais tarefas; a Verdade simboliza, aqui, conhecer-se a si mesmo, descobrir o que na realidade é o homem. Há períodos de combate em benefício da Família e da Humanidade. Cada novo Cavaleiro Eleito dos Nove terá ampla liberdade de consciência; poderá emitir sua própria opinião, mas sempre, respeitando as decisões das Autoridades Maçônicas, ou seja, obedecendo à hierarquia; as decisões de uma Loja sempre são justas e legais; no debate, a opinião particular serve para elucidar; será uma contribuição, mas a decisão final exigirá respeito e acatamento. É por isso que a Maçonaria sobrevive e vence o tempo. É imperioso, nos atuais tempos, que o Maçom deposite sua plena confiança na Instituição; os inimigos da Maçonaria já não dispõem de prisões, armas e meios coercitivos para subjugar o Maçom, mas usam, em grande escala, da corrupção.”[27]

A Loja representa a câmara secreta de Salomão. No passado o ritual previa o ingresso do Mestre com um manto vermelho. Atualmente a cor está prevista nas colunas que são pintadas de branco e vermelho, além do avental que é de pele branca, forrado de vermelho e bordado em preto. Este simbolismo, segundo Albert Pike, deve ter sido introduzido por influencia dos Hermetistas[28], particularmente os adeptos da tradição alquímica. Segundo a tradição alquímica, não se pode transmutar nenhum metal sem primeiro aquecê-lo pelo fogo. “Aliás, toda arte de Hiram, como fundidor, assim como de Tubalcaim, seu Mestre, consistia em moldar, pela aplicação de calor, os metais. Assim o fogo, a cor rubra, tem importante papel nessa simbologia[29]”.

Outra simbologia importante é com relação ao número 9. Apesar de não haver muito acordo entre autores sobre o significado deste número, há claras influencias da Cabala, especialmente no estudo da numerologia metafísica na Maçonaria, onde o número 9 representa a imortalidade[30]. Esse número significa um regresso às origens pelo fato de ser que mais próximo está do número 10, que é o número perfeito, representativo da Divindade. Marca a última etapa de purificação, o derradeiro degrau antes de integrar-se ao Uno, ao Perfeito. O nove encerra, então, uma ideia de salvação espiritual, de missão cumprida, de cumprimento de uma etapa purificadora. Novena[31], tradição adotada também pelo cristianismo. Nove também foram os fundadores da Ordem dos Templários[32], que por nove anos não admitiram nenhum outro membro na Fraternidade.

Outro ensinamento importante neste Grau é a necessidade do Mestre. Em certa altura do ritual o Muito Poderoso Mestre encarrega um Mestre de guiar os Nove Eleitos na caçada dos assassinos. Esse Mestre é o desconhecido que descobriu o esconderijo dos assassinos e o revelou ao rei. Esse ensinamento encerra um dos preceitos mais importantes de todo o conhecimento iniciático: o de que não há iniciação possível sem um Mestre para guiar o neófito. E que esse Mestre deve ser sempre um desconhecido e discreto.

Outros símbolos do Grau:

- A questão da finalidade da vida (vida e morte);
- A Eterna Vigilância (Nenhuma ideia, nenhum comportamento, nenhuma doutrina deve ser imediatamente descartada, sem um rigoroso exame de seus fundamentos. Contrario ao que fez Johaben ao assassinar o criminoso, com precipitação, e sem julgamento. Nosso comportamento tem que ser vigilante, na estrita observância da moral e da Lei);
- Perdoar e Esquecer (Outra virtude que exalta no ritual do grau é o perdão. O Sábio perdoa, o ignorante vinga-se. Salomão perdoando Johaben, quis mostrar que o perdão longe de ser uma atitude de fracos, é uma virtude que somente uma profunda sapiência pode inspirar).

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Mestre Instalado, Gr.`. 28, obreiro da B.´.A.´.R.´.L.´.S.´. Rosa dos Ventos n° 76, Or.´. de Osório/RS, juridionado à G.´.L.´.R.´.G.´.S.´.

Bibliografia:
Adum, Jorge: Do Mestre Eleito dos Nove;
Adum, Jorge: Uma Visão Global dos 33 Graus do REAA;
Da Camino, Rizzardo: Os Graus Inefáveis do 4° ao 14°
Anatalino, João: Conhecendo A Arte Real: A Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas;
Ragon :“Tratado de Ortodoxia Maçônica”.
Pike, Albert - Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry
Ritual do Grau;
Wukipédia;




[1] - Anatalino, João – Conhecendo a Arte Real – A Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas, pág. 215
[2] - Idem. Esta iniciação nos Mistérios Menores mostrava ao iniciado o real significado do Mito de Osíris, o conteúdo metafísico da sua morte e ressureição em outro estado do ser e a necessidade de todo homem passar por esse processo se quiser se libertar da eterna peregrinação pelo mundo da materialidade e para “terra intermediária” (Tuat). Tuat, na religião egípcia, era o nome das doze regiões do Reino dos Mortos, ao longo das quais, a "Barca de um milhão de anos" de Ré navegava todas as noites. Cada uma das 12 regiões correspondia a uma das horas da noite.
[3] - Adum, Jorge – Do Mestre Eleito dos Nove – Pág. 3;
[4] - Da Camino, Rizzardo – Os Graus Inefáveis – Do 04° ao 14°. Pág. 154;
[5] - Devas são espíritos intimamente ligados e integrados à natureza, trabalhando nela sem questionar. Não são bons nem maus, mas podem ser manipulados pelos humanos para finalidades boas ou ruins. Em certo ponto de evolução, eles se individualizam, e podem ser confundidos com anjos, ou fadas. Em certo estado de consciência, algumas pessoas podem vê-los. Podem se apresentar como gnomos, duendes, fadas, sereias, sílfides e outros.
[6] - Na tradição semita-cristã, eles poderiam ser caracterizados como anjos caídos
[7] - Agni é uma divindade Hindu, que significa Fogo;
[8] - Varuna era um deus arquiteto e ferreiro, devido a isso possuía um conhecimento infinito.
[9] -- Adum, Jorge – Do Mestre Eleito dos Nove – Pág. 6;
[10] - Na mitologia egípcia, Maet ou Maat é a deusa da Justiça e do Equilíbrio. É representada por uma mulher jovem exbindo na cabeça uma pluma. É filha de Rá, o deus do Sol e esposa de Tot (alguns escritores defendem que o deus-lua Thot era o irmão de Maat), o escriba dos deuses com cabeça de ibis. Com a pena da verdade ela pesava as almas de todos que chegassem ao Salão de Julgamento subterrâneo. Colocava a pluma na balança, e no prato oposto o coração do falecido. Se os pratos ficassem em equilíbrio, o morto podia festejar com as divindades e os espíritos da morte. Entretanto, se o coração fosse mais pesado, ele era devolvido para Ammut [deusa do Inferno, (que é parte hipopótamo, parte leão, parte crocodilo) para ser devorado]. Os deuses egípcios não eram pessoas imortais para serem adoradas, mas sim ideais e qualidades para serem honradas e praticadas.
[11] - Os mistérios de Elêusis (também conhecidos como mistérios eleusinos) eram ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Demeter e Perséfone, que se celebravam em Elêusis, localidade da Grécia próxima a Atenas. Eram considerados os de maior importância entre todos os que se celebravam na antiguidade. Estes mitos e mistérios se transferiram ao Império Romano e sinais dele podem ser notados em práticas iniciáticas modernas. Os ritos e crenças eram guardados em segredo, só transmitidos a novos iniciados.
[12]-  Anatalino, João – Conhecendo a Arte Real – A Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas. Pág. 223
[13] - Anatalino, João – Conhecendo a Arte Real – A Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas, pág. 215
[14] - Os Cainitas eram um grupo gnóstico do século II. Eles reverenciavam a Caim como a primeira vítima do Demiurgo, tido pelos gnósticos como uma divindade intermediária, criador do mundo material, mas abaixo do Deus Todo-Poderoso, que o Cristo ensinou a amar. Para os cainitas, o Deus do Antigo Testamento não podia ser o mesmo Deus proclamado pelo Cristo, pois enquanto este é um Deus piedoso, benevolente, amoroso, aquele é um Deus vingativo e cruel. Recentemente, foi concluída a tradução de um texto atribuído aos cainitas, o Evangelho de Judas, no qual existe um relato conciso do relacionamento entre o Messias e Judas, a quem foi confiada a mais dura de todas as missões: Liberar o Cristo de sua envoltura humana.
[15] Jubal é um personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis como um filho do perverso Lameque e de Ada, fazendo parte da descendência de Caim. Foi irmão de Jabal, Tubalcaim e Naamá. Segundo a Bíblia, Jabal foi o ancestral dos homens que tocavam harpa e órgão no mundo antes do Dilúvio (Gênesis 4:21).
[16] Nomes de origem hebraica existem dois Hiram (um Rei de Tiro e outro cujo nome não é mencionado) referidos nas Sagradas Escrituras provinham do Líbano. Temos Hiram ou Hirão rei Tiro e Hiram Abbi, o artífice que esse Rei enviara a Salomão para o embelezamento do Grande Templo. Hiram, o arquiteto, era filho de uma mulher da tribo de Dan e de um homem Tíro chamado Ur, que significa "forjador de ferro", consoante o relato bíblico em II Crônicas, 10; ou filho de uma viúva da tribo de Natfali consoante refere Reis I, 7:13. O nome Hiram pode ser traduzido como "Vida Elevada".
[17] - Tubalcaim é um personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis como um filho do perverso Lameque e de Zilá, fazendo parte da descendência de Caim. Foi irmão de Naamá, Jubal e Jabal. Segundo a Bíblia, Tubalcaim teria sido o primeiro homem a fazer uso do cobre e do ferro nas construções da humanidade: “E Zilá também teve a Tubalcaim, mestre de toda obra de cobre e de ferro”; (Gênesis 4:22);
[18] - O que comumente se entende pela palavra “arcano” é um segredo de ordem mágica, algo oculto ou, no mínimo, não explícito. Eles traduziriam um mecanismo secreto da natureza que permitiria entrever seu funcionamento. Assim, por exemplo, no Tarô, os arcanos estariam representados por desenhos que teoricamente estimulariam a imaginação de leitor, sugerindo-lhe a realização de um trabalho de meditação e aprofundamento. Na Cabala, estariam representadas nas propriedades do alfabeto hebreu, espécies de energias circulantes na chamada Árvore da Vida. Os alquimistas, por sua vez, tem para eles que os arcanos estariam expressos em diferentes níveis da realidade, nas mais variadas combinações das substâncias químicas, aí incluídos nossos humores bem como nossos desejos.
[19] - Pike, Albert - Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, prepared for the Supreme Council of the Thirty Third Degree for the Southern Jurisdiction of the United States: Charleston, 1871.
[20] - O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estivessem em condição de tornar este mundo num mundo melhor - mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.
[21] - A palavra paraíso deriva do termo avéstico pairi-daeza (uma área/jardim murada), composto por pairi- (ao redor), um cognato do grego peri-, e -diz (criar, fazer). Uma palavra associada é o sânscrito paradesha que literalmente significa país supremo. A palavra que é atualmente é compreendida como "lugar aprazível" passou do velho persa (paridaeza) para o hebraico (pardes) e deste para o grego paradeisos (παράδεισος), grafado na Septuaginta e significando Jardim do Éden. A palavra persa é transliterado para o hebraico três vezes no Antigo Testamento (Cântico dos Cânticos 4:13, Eclesiastes 2:15, Neemias 2:8). Também ocorre 47 vezes na Septuaginta grega, principalmente como uma tradução de "jardim do Éden", ou nas profecias sobre a restauração do Éden. Na literatura rabínica a palavra tem vários significados;
[22] - Anatalino, João – Conhecendo a Arte Real – A Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas.
[23] - Nota nossa.
[24] - Dois dos assassinos, quando regressavam à caverna, notaram a presença dos Mestres e fugiram precipitadamente entre as rochas. Oito Mestres, menos Johaben, os perseguiram.
[25] - - Anatalino, João – Conhecendo a Arte Real – A Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas. Pág. 217
[26] - Adum, Jorge – Pág. 4
[27] - Da Camino – Cavaleiro Eleito dos Nove – Trabalho na Internet;
[28] - Hermetismo é o estudo e prática da filosofia oculta e da magia associados a escritos atribuídos a Hermes Trismegisto, "Hermes Três-Vezes-Grande", uma deidade sincrética que combina aspectos do deus grego Hermes e do deus egípcio Thoth. Os escritos mais importantes atribuídos a Hermes são a Tábua de Esmeralda e os textos do Corpus Hermeticum. Estas crenças tiveram influência na sabedoria oculta europeia, desde a Renascença, quando foram reavivadas por figuras como Giordano Bruno e Marsilio Ficino. A magia hermética passou por um renascimento no século XIX na Europa Ocidental, onde foi praticada por nomes como os envolvidos na Ordem Hermética do Amanhecer Dourado e Eliphas Levi. No século XX foi estudada por Franz Bardon, entre outros;
[29] - Anatalino, João – Conhecendo a Arte Real – A Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas. Pág. 230.
[30] - Assim afirma Ragon em sua obra “Tratado de Ortodoxia Maçônica”.
[31] - Entre a ascensão de Jesus ao céu e a descida do Espírito Santo, passaram-se nove dias. A comunidade cristã ficou reunida em torno de Maria, de algumas mulheres e dos apóstolos. Foi a primeira novena cristã. É repetida todos os anos, orando, de modo especial, pela unidade dos cristãos. É o padrão de todas as outras novenas.
[32] - A Ordem foi fundada por Hugo de Payens, com mais 8 cavaleiros e teve o apoio do novo rei de Jerusalém de nome Balduíno II, após a Primeira Cruzada em 1118 com a finalidade de proteger os peregrinos que tentassem chegar em Jerusalém, porém eram vítimas de ladrões,[5] e a Terra Santa dos ataques dos muçulmanos mantendo os reinos cristãos que as Cruzadas haviam fundado no Oriente.
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quinta-feira, 7 de abril de 2016

BLOG ESPAÇO DO MAÇOM NO MUNDO



O Blog Espaço do Maçom, comemora a marca de mais de 780.000 acessos, tendo chegado aos cinco continentes. Para uma publicação extremadamente especializada com um público específico, é uma marca importante!!!

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Temos a convicção que com a divulgação de conhecimentos na Arte R.´. estamos contribuindo com milhares de IIr.´. espalhados por centenas de Of.´. pelo Mundo, para que possamos atender o primaz de nossa Inst.´,, qual seja: "Fazer feliz a Humanidade".

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Irm.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli
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A ORIGEM DOS MISTÉRIOS DE MITRA, DO CULTO SOLAR, NO GRAU 28° DA MAÇONARIA.

O Cav.´. do Sol



Irm.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli (Moshe)
M.´.I.´.

Introdução – História e Lenda

O Grau 28, se desenvolve a partir de duas concepções: A lenda do Jardim do Éden após a expulsão do homem pecador do Paraíso Terreno e o Culto Solar. É de origem essencialmente hermética e mitraica (do Mitraísmo).
 Na sua essência reflete ensinamentos alquímicos e gnósticos, como poderemos ver adiante.
Este Grau é o prosseguimento do Grau 22 (Cavalheiro do Real Machado) e do Grau 26 (Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário).
Teria sido introduzido, de acordo com o Ritual, supostamente pelo Padre Beneditino Peruetti, fundado da seita “Os Iluminados de Avinhão”. O grande escritor maçônico, Rizzardo da Camino, em seu livro “Kadosh, do 19º ao 30º”, também o afirma[1]. Entretanto há um erro de grafia no nome do suposto criador do Grau 28º, constante do Ritual e repetida por Da Camino. Na verdade, o criador da sociedade (ou seita) “Os Iluminados de Avignon[2] em 1766, foi Antoine-Joseph Pernety, ou ainda Dom Pernety, nascido em Roanne, 1716, e morto em Avignon, 1796. Dom Pernety escreveu a "Dissertation sur l'Amérique et les Américains contre les recherches philosophiques" tendo adotado as doutrinas de Swedenborg[3] e fundou a referida seita de iluminados.


 Já ANATALINO, em seu livro “Mestres do Universo”[5], cita o autor Rogers, com relação ao surgimento do Grau.

“Segundo Rogers, esse grau teria surgido em meados do século XVIII, na Loja mãe escocesa de Marselha, fundado por um viajante chamado Georges de Walmon, um nobre que fazia parte do séquito do pretendente ao trono da Inglaterra, Carlos Eduardo, por volta de 1765.”

O ritual de iniciação do Grau 28, segue uma inspiração muito forte da lenda de Mitra, que deu origem ao Mitraísmo, cujo culto solar foi decisivo na formação de quase todas as Religiões do mundo, principalmente as monoteístas. O próprio Ritual do Grau, em sua explicação preliminar, reconhece a importância do culto solar na constituição do mesmo, relacionado com os mistérios da Alta Antiguidade.

Culto Solar:

Nos alvores da civilização, logo que adquiriu consciência de sua própria existência (o ser humano é o único animal vivo que tem esta consciência), e passou a perceber a natureza e seus ciclos, passou a adorar o Sol, desconhecendo totalmente o impulso que o conduzia a estes atos religiosos. 
Antes o homem primitivo cultuava o que não compreendia, este mesmo logo desenvolveu a escrita e a comunicação, com isso simbolizou seu grande Deus, o Sol, nem um símbolo marcou tanto a humanidade como o primeiro. A representação da luz foi sempre identificada como algo divino e olho que ilumina o mundo, acrescentando que o Sol como olho do mundo surge na época helênica e logo em seguida na Alexandrina, chegando até a Idade Média.
O culto Solar mais importante, que influenciou a maior parte das religiões monoteístas, inclusive o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, bem como a mitologia hindu e romana, foi o Mitraísmo[6].
Mitra é o deus do Sol, da sabedoria e da guerra na mitologia persa. Ao longo dos séculos, foi incorporado à mitologia hindu e à mitologia romana. Na Índia e Pérsia, representava a luz, significando, literalmente, em persa, "Divindade solar". Representava também o bem e a libertação da matéria. Era filho do deus persa do bem, Aúra-Masda, e lutava contra os inimigos deste com suas armas e com seu javali Verethraghna. Era identificado com o sol, viajando todos os dias pelo céu com sua carruagem para espantar as forças das trevas. Era uma das mais populares divindades persas. Com sua adoção pelos romanos, tornou-se especialmente popular entre os soldados, que lhe ofereciam touros.
Existem referências a Mitra e a Varuna[7] de 1 400 a.C. como deuses de Mitani, no norte da Mesopotâmia.
Após a vitória de Alexandre, o Grande, sobre os persas, o culto a Mitra se propagou por todo o mundo helenístico. Nos séculos III e IV da era cristã, as religiões romanas, identificando-se com o caráter viril e luminoso do deus, transformaram o culto a Mitra no Mitraísmo.
O símbolo de Mitra era o touro, usado nos sacrifícios à divindade. A morte do touro, que representaria a Lua, era característica desse mistério, que se espalhou pelo mundo helênico e romano por meio do exército. A partir do século II, o culto a Mitra era dos mais importantes no Império Romano e numerosos santuários chamados mitreus (mithraea) foram construídos. A maior parte eram câmaras subterrâneas, com bancos em cada lado; em raras vezes, eram grutas artificiais. Imagens do culto eram pintadas nas paredes, e, numa delas, aparecia, quase sempre, Mitra, que matava o touro sacrificial.
O ritual de iniciação na religião mitraica consistia em levar o neófito até o altar de Mitra, amarrado e vendado, onde o sacerdote oferecia, a ele, a Coroa do Mundo, colocando-a sobre sua cabeça. O neófito deveria recusar a coroa e responder: "Mitra é minha única coroa". O culto a Mitra passou por diversas transformações, difundindo-se gradualmente até alcançar um lugar proeminente na Pérsia e representar o principal oponente do cristianismo no mundo romano, nas primeiras etapas de sua expansão.
A religião mitraica tinha raízes no dualismo zoroástrico (oposição entre bem e mal, espírito e matéria). Nos cultos helenísticos, Mitra passou a ser "um deus do bem" criador da luz e em luta constante contra a divindade obscura do mal. Seu culto estava associado a uma existência futura e espiritual, completamente libertada da matéria. O culto era celebrado em grutas sagradas onde o principal acontecimento era o sacrifício de um touro, cujo sangue fazia brotar a vida, propiciando a imortalidade
Enormes são as semelhanças desse culto e dessa ritualística mitraica com a adotada pela Maçonaria no Grau 28°:
1.    O culto solar, sendo o título deste Grau o de “Cavalheiro Solar”;
2.    A câmara é uma caverna;
3.    A luz da caverna representando o Sol;
4.    O iniciado entra vendado e com as mãos amarradas;
5.    As sete viagens do espírito que são realizadas para adquiri as faculdades necessárias à luta do bem e do mal, quando encarnado;
6.    A alegoria da coroa;
7.    O batismo do sangue do Touro (tauroctonia);

Leitura do Grau

De acordo com o ritual do Grau, o espírito que se encontra no Or.´. Místico, aspira descer para a Terra, para aí combater na luta do bem e o mal, dissipar o erro e vencer a iniquidade, com o fim de aperfeiçoamento do mundo.
A forma de combater o mal e praticar o bem, é uma antiga fórmula, já vista no Grau XXX , bem como nos mistérios de Zoroastro, em conversa da Boa Mente com Zaratustra: Boas Palavras, Bons Pensamentos e Boas Ações.
Sete astros errantes circulam o caminho do céu e com eles é tecida a eternidade:
1.    O Sol com a faculdade de conhecer;
2.    A Lua com o desejo de viver;
3.    Marte com o instinto da Luta;
4.    Mercúrio com o prazer das riquezas;
5.    Júpiter com a ambição;
6.    Vênus com o prazer da mulher;
7.    Saturno com a inclinação ao repouso.
Estando armado das faculdades e atributos necessários, o espírito é advertido que a sua sorte está na dependência do uso que delas fizer, já que poderão sem empregadas para o aperfeiçoamento moral ou, se mal-empregadas, para a degradação e o enfraquecimento moral.
Daí o homem se encontra outra vez[8] colocado entre as boas e más ações, entre as obras de luz ou das trevas, entre a vida e a morte. Alerta para que as más não apaguem as boas, ao final da jornada.
Ainda, o guia que é a voz da consciência, nos adverte que estará sempre perto de nós, para nos guiar no crepúsculo, mesmo com as mãos entravadas pelo vício e pelos erros, mesmo se a nossa vista estiver obscura pelo ódio, pela vaidade.
Há na sequência, uma longa revelação de Hermes Trimegisto à respeito o uso das faculdades que Deus lhe dá, a meritocracia da vida como recompensa das ações, a importância de não sucumbir às seduções da carne, evitando assim a morto do espírito. Quando chegar a hora de deixar o mundo, os corpos voltarão ao domino da matéria, mas os “espíritos de elevarão nas setes esferas concêntricas que envolvem o sistema terrestre”.
Preso à matéria e cego pelas paixões, na hora da passagem, o espírito recobre a lucidez de sua vista. Eis o momento de prestar contas dos atos. Nesse momento, acompanhado pelo seu guia protetor (consciência), representado pelo Verdadeiro Irmão, passa a responder, perante o Juízo Final, no caminho inverso ao percorrido quando da reencarnação, pelas suas ações em relação ao trabalho, ao respeito às mulheres e ao amor, da ambição e da forma como tratou o semelhante no desempenho de suas funções, pelo enriquecimento lícito ou ilícito, pelo combate em favor da Verdade, pela forma como tratou a vida que lhe foi conferida e pela forma como tratou a inteligência em busca da Verdade.
O espirito, assim julgado, volta ao “Palácio do Amor”, onde estão reunidas todas as almas diletas do Rei Celeste.


A moral e o significado da Lenda do Grau

O objetivo do Grau é o culto do sol e da Verdade. Forma pela qual os antigos, através da Iniciação, desejavam chegar ao conhecimento da natureza para descobrirem o que ele encerra de útil ao homem e de interessante à civilização. A moral do Grau, por sua vez, é propiciar meios para conservar a Paz interna e externa, e impedir a todo custo os excessos de qualquer natureza.
DA CAMINO[9] , arrisca dizer que essa função do Sol (no culto solar), que por sinal, é o culto ritualístico mais antigo e primevo que existe, e que se traduz como um “fenômeno da Natureza” que encerram efeitos não apenas físicos e astronômicos (exotéricos ), mas esotéricos.
Esta influência seria exotérica, na medida que o afeta mental e organicamente, e esotérica em relação à influência em sua mente astral e espírito.
Questiona-se este autor, “o sol emitiria, por meio de seus raios, mensagens por parte do Grande Arquiteto do Universo à mente e ao espírito do homem? Seria ele, o Sol, o mensageiro máximo de Deus?”
ASLAN[10], afirma que o Grau pretende demonstrar que Deus não manifestado é a Razão Pura e que Deus manifestado é a própria Natureza e que o Grande Segredo é a passagem do invisível para o visível.
ANATALINO, no Livro “Mestres do Universo” define na visão do autor Jean Palou, qual seria o significado do Grau:

“Já Jean Palou sustenta ser o grau 28 dedicado ao Espírito Santo, representativo da evocação da unidade em oposição a pluralidade, o que em termos herméticos significa uma figuração da ideia da ‘anima’ e do ‘spiritus’, ou seja, a alma e o espírito, que são respectivamente, a mente e a energia primordial que anima a vida humana, condensadas, ou sintetizadas no Cristo, conforme o simbolismo cristão, ou na pedra filosofal, segundo a simbologia alquímica. ”

Uma interpretação mais corrente da simbologia contida no título “O Cavaleiro do Sol”, no entanto, é aquela que evoca antigas tradições, principalmente egípcias e caldeias, do culto ao sol. Essa interpretação tem sua razão de ser, partindo do princípio de que praticamente todas as religiões antigas, com exceção do monoteísmo hebreu, tinham no mito solar o ponto central de suas doutrinas. Por outro lado, Giordano Bruno[11] e outros filósofos gnósticos no início da Idade Moderna, revalorizaram as religiões solares o que influenciou o pensamento rosacruciano, que por sua vez, influenciou em boa parte, os ritos da Maçonaria moderna. Ver por exemplo, que o Iniciado no primeiro Grau da Maçonaria, após as viagens ao qual é submetido, chega ao êxtase da cerimônia, recebendo a L.´..
Em relação à mitologia Mitraica, incluída na filosofia do Grau 28°, através do seu Ritual, referente à imagem do Mitra Tauroctonos, David Ulansey[12], e segundo a Wikipédia:
 “Apresentou uma explicação baseada no simbolismo astrológico. De acordo com esta teoria a imagem do Tauroctonos é a representação de Mitra como um deus tão poderoso que é capaz de colocar o universo em ordem. O touro seria o símbolo da constelação de Touro. Nos primórdios da astrologia, na Mesopotâmia, entre o V milênio a.C. e o III milênio a.C. o sol encontrava-se em Touro durante o equinócio de primavera. Devido à precessão dos equinócios o sol estava no equinócio da Primavera numa constelação diferente cada 2160 anos pelo que passou a estar em Carneiro por volta do ano 2 000 a.C., marcando o fim da era astrológica de Touro.
O sacrífico do touro por Mitra representaria esta mudança, causada segundo alguns crentes, pela omnipotência do seu deus. Isto estaria em consonância com os animais que figuram nas imagens de Mitra Tauroctonos: o cão, a serpente, o corvo, o escorpião, o leão, o copo e o touro que são interpretados como sendo as constelações de Canis Minor, Hydra, Corvus, Scorpius, Leo, Aquarius e Taurus, todas no equador celeste durante a era de Touro.

Jardim do Éden

A Câmara do Grau 28° representa, numa espécie de sincretismo, o Éden, guardado por Querubins e se desenvolve em uma caverna no seio da floresta, como já vimos.
Mesmo influenciado de forma decisiva pela Mitologia Mitraica, o autor do Grau se preocupou em dar uma conotação religiosa judaico-cristã, incluindo atores que pertencem a estas religiões. Por exemplo, o presidente da Loja é chamado de Pai Adão, Primeiro Pai e Pai-dos-Pais. A existência de Querubins protegendo com espadas flamígeras os setes planetas (seriam as portas do Éden?).
Apesar de não explícito, parece claro que a intenção é demonstrar qual é o caminho de volta ao Paraíso (Éden) após o homem ter se desnudado pelo pecado e ter sido expulso e sentenciado ao trabalho. A volta ao jardim se daria pelas sucessivas passagens terrenas, e pela evolução do espírito, pelo aperfeiçoamento intelectual e moral.


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Bibliografia:

Da Camino, Rizzardo: A Loja de Perfeição de 1° ao 33°;Ed. Madras, 2006.
Gervásio de Figueiredo, Joaquim – Dicionário de Maçonaria.
PACHECO JR, Walter – Uma Visão Global dos 33 Graus do REAA. Ebook
VENEZIANI COSTA, Wagner - Uma visão global dos 33 graus do R E. A. A. http://cidademaconica.blogspot.com.br/2007/07/uma-viso-global-dos-33-graus-do-r-e-a.html
ANATALINO, João – Mestres do Universo – Editora Biblioteca, São Paulo, 2011
ASLAN, Nicolas - Instruções para Oficinas de Conselho de Kadosch (graus 19 ao 30) — Gráfica Editora Aurora — Rio — 1984.
DA CAMINO, Rizzardo – KADOSH do 19° ao 30° - Editora Madras, São Paulo, 2013.
Ritual do Grau;
Bíblia Sagrada
Wikipédia




[1] - Página 158
[2] - Sociedade fundada no século XVIII e consagrada essencialmente à alquimia e à astrologia, sendo que no ano de 1760 adotaram as obras de Swedenborg como fundamento do seu esoterismo.
[3]- Emanuel Swedenborg (Estocolmo, 29 de janeiro de 1688 — Londres, 29 de março de 1772) foi um polímata e espiritualista sueco, com destacada atividade como cientista, místico, filósofo e criador de uma nova religião, o swedenborgianismo.
[4] - A Grande Obra de Dom Pernety.
[5] - ANATALINO, João – Mestres do Universo – Editora Biblioteca, São Paulo, 2011.
[6] - O mitraísmo foi uma religião de mistérios nascida na época helenística (provavelmente no século II a.C.) no Mediterrâneo Oriental, tendo se difundido nos séculos seguintes pelo Império Romano. Alcançou a sua máxima expansão geográfica nos séculos III e IV d.C., tendo se tornado um forte concorrente do cristianismo. O mitraísmo recebeu particular adesão dos soldados romanos. A prática do mitraísmo, assim como de outras religiões pagãs, foi declarada ilegal pelo imperador romano Teodósio I em 391
[7] - Varuna é o deus indo ariano da ordem cósmica. É a maior divindade do antigo panteão indo ária. Apesar de ser o responsável pela ordem do universo, Varuna não criou o mesmo. Não existia um deus criador na religião ariana e podemos encontrar ecos desse fato nas religiões grega e indiana, entre outras, nas quais não existe exatamente um deus que tenha engendrado o mundo.
[8] - O termo “outra vez” demonstra claramente a tendência reencarnacionista da Maçonaria.
[9] - DA CAMINO, Rizzardo – KADOSH do 19° ao 30° - Editora Madras, São Paulo, 2013.
[10] - ASLAN, Nicolas - Instruções para Oficinas de Conselho de Kadosch (graus 19 ao 30) — Gráfica Editora Aurora — Rio — 1984.
[11] - Giordano Bruno (Nola, Reino de Nápoles, 1548 — Roma, Campo de Fiori, 17 de fevereiro de 1600) foi um teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano, condenado à morte na fogueira pela Inquisição romana (Santo Ofício) com a acusação de heresia ao defender erros teológicos, acusado de panteísmo e queimado vivo por defender com exaltação poética a doutrina da infinitude do Universo e por concebê-lo não como um sistema rígido de seres, articulados em uma ordem dada desde a eternidade, mas como um conjunto que se transforma continuamente.
[12] - ULANSEY, David - The Origins of the Mithraic Mysteries - Cosmology and Salvation in the Ancient World – Oxford University Press, EUA, 1991.
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